Tornar o país de origem um lugar melhor através dos programas da diáspora: Envolvendo a diáspora albanesa durante a pandemia

BARDHA QOKAJ  |  23 JUNHO 2021  |  EDIÇÃO 15  |  TRADUZIDO DO INGLÊS

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Fotografia gentilmente cedida pela IOM Albânia.

A Albânia tem uma das maiores taxas de emigração do mundo. Quase 1,7 milhões de albaneses vivem fora do país, maioritariamente na Europa, mas também têm uma presença significativa na América do Norte, assim como em outras regiões. As remessas de fundos dos emigrantes têm sido uma fonte significativa de capital ao longo dos anos, atingindo uma média de 1,15 biliões de euros por ano durante o período de 2008 a 2017, o que é equivalente a aproximadamente 12% do PIB do país. Hoje em dia, os políticos albaneses e as agências de desenvolvimento perceberam que a diáspora está a tornar-se cada vez mais importante para o desenvolvimento da Albânia. 

 

O programa da diáspora ‘Envolva a Diáspora Albanesa no Desenvolvimento Social e Económico da Albânia’ foi implementado pela OIM Albânia em 2018, com financiamento do Ministério Italiano dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Internacional, e com o apoio operacional da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) na Albânia.

 

Manoela Lussi juntou-se à OIM em 2018 como gestora do Programa da Diáspora. Ela tem uma vasta experiência de trabalho tanto para o governo italiano como para organizações internacionais, principalmente na conceção, gestão e monitorização de programas de desenvolvimento. Manoela é doutorada em Políticas Transfronteiriças pela IUIES, tem dois mestrados, um em Análise e Gestão de Projetos de Desenvolvimento e Design e outro em Gestão de Projetos Europeus, e é licenciada em Ciências Políticas Internacionais pela Universidade de Pádua, em Itália. Ela também possui vários certificados de pós-graduação em áreas como o direito e política da União Europeia em termos de imigração e asilo. 


 

O impacto do COVID-19

 

Como gestora do Programa da Diáspora, Manoela Lussi relembra, “Estávamos a meio da implementação e lançamento de novos mecanismos para o envolvimento da diáspora albanesa, quando nos deparamos com a pandemia do COVID-19, que mudou, de formas inesperadas, o nosso modo de vida. E considerando que o nosso programa visava principalmente a diáspora albanesa na Itália, um dos países mais afetados no início, podemos dizer que a pandemia também afetou o ‘estilo de vida’ do programa. Como tantos outros agentes, fomos obrigados a descobrir como continuar recorrendo a meios não tradicionais. Trabalhamos com pensamento positivo e criatividade expedita.”

O primeiro passo do Programa da Diáspora, na sua adaptação à nova normalidade, foi a formação de formadores em Gestão do Ciclo de Projetos e Angariação de Fundos, que tem por objetivo apoiar as recentemente criadas instituições de envolvimento da diáspora albanesa, reforçando as suas capacidades de fomentar o envolvimento da diáspora albanesa no estrangeiro. A formação foi planeada para ser ministrada presencialmente, na Escola Albanesa de Administração Pública (ASPA), a funcionários relevantes, mas o confinamento e o distanciamento social impossibilitaram-no.

 

Lussi acrescenta, “Em consenso com o doador do Programa e com os parceiros institucionais, conseguimos adaptar todos as formações e atividades offline para online. Consideramo-nos, com orgulho, precursores no uso, pela primeira vez, da tecnologia utilizada pela ASPA para a realização de formações, o que se tornou uma prática comummente usada pela ASPA durante a pandemia.”

A criação do Connect Albania, um novo mecanismo de incentivo ao investimento estrangeiro, com o intuito de apoiar o envolvimento da diáspora albanesa no desenvolvimento do país de origem, foi outra etapa pela qual o Programa passou durante a pandemia. Esta foi mais uma iniciativa em que se utilizou tecnologia.

 

O Connect Albania envolve a diáspora albanesa enquanto agente de desenvolvimento, tendo em vista o aumento dos investimentos diretos e indiretos na Albânia. O Programa recompensa a diáspora oferecendo uma bonificação por cada empregado contratado por empresas estabelecidas com o seu apoio. “O lançamento do Connect Albania, no contexto da crise global, foi uma atividade difícil para o Programa da Diáspora da OIM na Albânia, mas não impossível. Depois de muitas discussões e preparação com os doadores e parceiros da diáspora albanesa, lançamos o Connect Albania em 18 de dezembro de 2020. O Connect Albania neste momento está totalmente operacional, facilitando a participação dos membros da diáspora albanesa enquanto agentes de desenvolvimento ativos. Através do suporte tecnológico, fomos capazes de converter os eventos offline, para a diáspora albanesa e potenciais investidores na Itália, para online, assistidos por uma campanha digital que alcançou mais de 300.000 membros da diáspora. Congratulamo-nos que a diáspora albanesa tenha demonstrado interesse no novo mecanismo Connect Albania, candidatando-se para se tornarem agentes de desenvolvimento. Já foram emitidos os certificados para inúmeros agentes de desenvolvimento da diáspora”, afirma a Manoela. 


 

Atrair a diáspora remotamente 

 

A pandemia provou-nos que a diáspora albanesa não é apenas um recurso no país anfitrião, onde contribui para setores críticos como a saúde, a cadeia de abastecimento alimentar e outros serviços importantes, mas também pode estar empenhada no desenvolvimento do seu país de origem a partir de onde quer que estejam os seus membros, através da partilha de capacidades e conhecimentos. Por exemplo, o mais recente esquema de bolsas do Programa para a UE foi elaborado e implementado com o objetivo de envolver e mobilizar 35 profissionais da diáspora altamente qualificados, independentemente do seu local de residência. Eles darão o seu apoio e experiência a áreas prioritárias que a Albânia deve adotar como parte do processo de adesão à UE.

 

Além disso, há bolseiros, membros do Conselho Consultivo Técnico e outros membros destacados a apoiar o envolvimento das instituições e comunidades da diáspora albanesa – a maioria delas remotamente. “Atrair a diáspora albanesa, funcionários e consultores espalhados por diferentes países, não seria possível sem as ferramentas inovadoras que a tecnologia nos oferece hoje em dia, possibilitando e facilitando o trabalho diário e as comunicações. E isto tornou-se particularmente evidente durante a pandemia”, destaca Lussi. O Programa também destacou algumas das contribuições da diáspora albanesa durante o COVID-19 em algumas regiões da Itália.

Lussi conclui: “Estou muito satisfeita por dirigir uma iniciativa tão importante, com o objetivo de estabelecer as raízes e as melhores práticas para o envolvimento da diáspora e aplicar abordagens tecnológicas inovadoras, como com o Connect Albania. E também sinto orgulho em poder dizer que, graças ao Programa da Diáspora da OIM, pela primeira vez, o Relatório Intercalar da Comissão Europeia sobre a Albânia, de junho de 2019, destacou os esforços do Governo albanês em questões relacionadas com a diáspora, enfatizando que os esforços com vista ao envolvimento da diáspora devem continuar.”

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Bardha Qokaj

Bardha Qokaj é albanesa. Ela possui uma licenciatura em Língua e Literatura Albanesa e um mestrado em Meios de Comunicação e Marketing pela Universidade de Tirana. Ela é uma especialista em comunicação com uma larga experiência e um histórico comprovado de trabalho no sector audiovisual, juntamente com doadores e comunidades. Ela interessa-se por uma vasta gama de temas, incluindo direitos humanos, advocacia, comunicação para o desenvolvimento e migração.

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This article is part of the issue ‘Empowering global diasporas in the digital era’, a collaboration between Routed Magazine and iDiaspora. The opinions expressed in this publication are those of the authors and do not necessarily reflect the views of the International Organization for Migration (IOM) or Routed Magazine.

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