Ferramentas tecnológicas para facilitar o envolvimento transnacional das diásporas através do uso de aplicações móveis e plataformas online para responder à pandemia: impacto da tecnologia nos esforços culturais e políticos das diásporas

KAZEEM OJOYE  |  23 JUNHO 2021  |  EDIÇÃO 15  |  TRADUZIDO DO INGLÊS

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Fig. 1. A executiva da AYEESI com o Exmo. Comissário para o desenvolvimento da juventude do Estado de Oyo durante um programa de sensibilização do COVID-19.

Diáspora é um termo usado para referir a população emigrada no exterior e a nova geração nascida no estrangeiro, que podem ser cidadãos do seu país de residência. Eles formam, frequentemente, uma comunidade de indivíduos em países estrangeiros, dispersos por várias nações, que mantêm uma afiliação com seu país de origem. Eles contribuíram sempre para o desenvolvimento dos seus países de origem, seja por meio do setor privado ou público. Eles prestam auxílio através de remessas de fundos para o país de origem, investimentos diretos, invenções e contribuições filantrópicas, entre outros.

 

De acordo com as estimativas da Divisão de População das Nações Unidas, o número de pessoas a viver fora de seu país de origem em 2020 era de 281 milhões, o que representa 3,6% da população mundial; enquanto que as remessas de fundos para países de baixo e médio rendimento (LMICs), em 2019, foi de US$ 554 biliões. Estima-se que as remessas de fundos para os países com baixo rendimento vão recuperar e aumentar para US$ 470 biliões em 2021 após sua queda em 2020 para US$ 445 bilhões.

 

As remessas de fundos têm sido uma grande tábua de salvação e têm um enorme impacto nas economias dos países de origem, visto que são utilizadas para ajudar as famílias a pagarem uma boa alimentação, a terem acesso a serviços de saúde, para estabelecerem pequenas e médias empresas e para cobrirem as suas necessidades básicas. As remessas de fundos têm sido particularmente úteis para aliviar o impacto socioeconômico da pandemia. 

 

Ao longo do tempo, a tecnologia e as plataformas online têm sido usadas para obter informações sobre o país anfitrião e para estabelecer conexões com outros imigrantes. Também ajudam a transmitir ideias (remessas sociais), nos locais em que os migrantes estão envolvidos no ativismo social ou político para criar consciência sobre os seus países de origem no país de acolhimento e, assim, angariar fundos para apoiar as comunidades do seu país de origem. 

 

A tecnologia facilitou a globalização. Os imigrantes conectam-se entre si para decidir como podem ajudar os seus países de origem, especialmente quando se trata de questões urgentes. Esta participação não seria possível se não houvesse uma maneira de conectar os migrantes em todo o mundo. Com o advento da tecnologia, o nível de participação das diásporas aumentou. As ferramentas tecnológicas, como os dispositivos móveis, blogs, aplicações para teleconferência ou redes sociais, facilitam a participação transnacional que ajuda a manter um sentido de identidade nacional e a fortalecer relações. 

 

Na Nigéria, os blogs foram usados durante a pandemia como uma ferramenta para a publicação de artigos e partilha de informação relevante, com o intuito de manter as pessoas atualizadas sobre o que se estava a passar no mundo e dar a conhecer os progressos feitos na contenção da propagação da pandemia. Aplicações de teleconferência como o Zoom, o Google Meet, o Skype, e outras, estavam a ser usadas para organizar seminários para esclarecer as pessoas, e as redes sociais foram usadas como meio de disseminar informações e estimular a participação.

 

As diásporas, na sua vertente filantrópica, responderam à pandemia de COVID-19 fornecendo alimentos, organizando seminários de sensibilização sobre higiene básica para conter a propagação do vírus, oferecendo alívio paliativo, pagando cursos online para estudantes universitários e apoiando programas educacionais que foram transmitidos na televisão, em estações de rádio e também em algumas plataformas sociais, onde os alunos tiveram acesso ao ensino de disciplinas fundamentais, de forma a garantir que continuassem a aprender mesmo fora das escolas (ver figura 2 abaixo).

 

Numa tentativa de intervir e ajudar o Movimento da Diáspora Nigeriana durante a pandemia, a African Youth Enlightenment Empowerment and Self-Sustainability Initiative (AYEESSI) (Iniciativa para o Esclarecimento, Capacitação e Auto-Sustentabilidade Juvenil Africana), uma organização internacional que se concentra particularmente no esclarecimento e capacitação da juventude, contribuiu e respondeu à pandemia em parceria com o governo do Estado de Oyo, na Nigéria. Eles participaram na sensibilização pública e ajudaram na distribuição de material de socorro e de gel hidroalcoólico aos residentes do Estado de Oyo, com o objetivo de criar uma maior consciência sobre o vírus e de fornecer os materiais necessários para se conter a sua disseminação no estado e em todo o país (veja a figura 1 abaixo). Para além disso, a organização criou um programa denominado 'Reconhecimento do Talento Verdadeiro' (ART), uma iniciativa que permite aos jovens nigerianos aceder a diferentes formações como inteligência artificial ou reflexões sobre design, entre outras, para ajudar a desenvolver as competências tecnológicas dos jovens. Os participantes também tiveram oportunidade de melhorar as suas aptidões em termos de relacionamento interpessoal e comunicação, entre outras.

 

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Fig. 2. Beneficiários do programa de sensibilização do COVID-19 organizado pelo governo do Estado de Oyo, em parceria com a AYEESSI.

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Kazeem Ojoye

Kazeem Ojoye, o fundador da African Youth Enlightenment Empowerment and Self-Sustainability Initiative (AYEESSI), nasceu na Nigéria, mas mudou-se no início dos anos 90 para a Alemanha, onde fez o ensino secundário e superior. A sua paixão pelas obras de caridade e pela formação e autonomização do maior número possível de jovens nigerianos levou-o a fundar a AYEESSI. Ele foi, durante 2 mandatos, Secretário Financeiro da Organização da Diáspora da Nigéria na Alemanha (NIDOG) e é o seu atual Presidente na Baviera, na Alemanha, desde 2020.

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This article is part of the issue ‘Empowering global diasporas in the digital era’, a collaboration between Routed Magazine and iDiaspora. The opinions expressed in this publication are those of the authors and do not necessarily reflect the views of the International Organization for Migration (IOM) or Routed Magazine.

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